La historia sorprendente de Ronald Wayne

A mediados dos anos 70, surgiu na Califórnia uma pequena ideia tecnológica que, anos depois, mudaria o mundo. Essa criação teve três fundadores, mas um deles acabou ficando quase esquecido pelo público, o que lhe custou milhões.

Enquanto dois jovens apostavam em computadores pessoais, o terceiro trouxe sua experiência a um projeto incerto. A decisão que ele tomou em poucos dias transformou não só sua vida, mas também a história da indústria tecnológica.

Quem é Ronald Wayne e como ele ajudou a fundar a Apple junto a Jobs e Wozniak

Ronald Wayne não era um novato no mundo dos negócios. Antes de se unir a Steve Jobs e Steve Wozniak, ele já havia lidado com suas próprias empresas, o que lhe conferiu uma visão mais cautelosa. Quando, em 1976, decidiram fundar a Apple, Wayne teve um papel importante desde o início. Ele redigiu o acordo inicial, montou toda a estrutura administrativa e até desenhou o primeiro logotipo da empresa, inspirado em Isaac Newton.

Por esse trabalho, Wayne ganhou 10% de participação na nova empresa. Naquela época, a Apple era apenas uma aposta. A primeira máquina, o Apple I, começava a atrair a atenção de um público específico, mas o sucesso ainda era uma incerteza.

Jobs cuidava do lado comercial, enquanto Wozniak se concentrava na tecnologia. Wayne, com sua experiência em gestão, funcionava como uma peça de apoio.

Aos 12 dias de fundada a empresa: por que Wayne decidiu renunciar a suas ações

Logo no começo, a sociedade entre os três tinha uma característica que foi decisiva para Wayne: cada um era responsável por suas próprias finanças em caso de dívidas. Ao contrário dos outros, ele já tinha bens e experiências comerciais que não queria pôr em risco. Além disso, sua desconfiança em relação ao projeto, liderado por dois jovens sem um histórico empresarial, pesou na decisão.

Apenas 12 dias após a fundação, Wayne vendeu sua parte por 800 dólares, uma escolha que mudaria sua vida para sempre. Mais tarde, ele ainda recebeu outros 1.500 dólares para evitar futuros problemas. No total, ele deixou a empresa por apenas 2.300 dólares. Naquele momento, a escolha parecia lógica, evitando complicações financeiras e se afastando de um projeto incerto. Mas, com o tempo, sua decisão se tornaria um dos tópicos mais comentados no mundo dos negócios.

De 800 dólares a 300 bilhões: a fortuna que ele perdeu

A Apple cresceu de forma extraordinária nos anos seguintes. A empresa saiu da venda de computadores para se tornar um gigante tecnológico global. Para entender a dimensão do erro de Wayne, basta notar que a Apple excedeu 3 bilhões de dólares em valor de mercado.

Se ele tivesse mantido seu 10%, sua fortuna teria chegado a 300 bilhões de dólares. Mesmo com 1%, ele seria multimilionário. Após deixar a Apple, Wayne se envolveu em diversos projetos, mantendo um perfil discreto por décadas. Chegou a vender documentos históricos relacionados à fundação da Apple por valores muito abaixo do que conseguiria em leilões hoje.

Contrariando o que muitos pensam, ele afirmou diversas vezes que não se arrepende de sua decisão. Para ele, tudo se resumia à maneira como enxergava o risco e suas prioridades na época.

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